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História

 

CBDS: uma história de sucesso

 

A Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS), foi fundada oficialmente em 17 de novembro de 1984, mas sua história começa bem antes, na década de 50, com o intenso movimento de criação de Associações de Surdos. No início, as Associações funcionavam como espaços de recreação e lazer, mas com o passar do tempo passaram a ser importantes pontos de articulação política e de prática desportiva. Entretanto, nessa época ainda não havia uma organização centralizada e as competições eram em sua maioria de futebol. Em paralelo, o país vivia também um momento político bastante favorável para o setor dos esportes, pois o presidente Getúlio Vargas havia acabado de criar o CND (Conselho Nacional de Desportos) como incentivo ao esporte no País.
A prática desportiva nas associações foi se consolidando e fez com que surgisse a necessidade de se organizar uma entidade apenas de esportes dos surdos. Em 20 de janeiro de 1959 foi fundada então a FCSM (Federação Carioca de Surdos Mudos), no Rio de Janeiro. Liderada por Sentil Delatorre, a entidade foi reconhecida pelo CND e pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Posteriormente, se filiou ao ICSD – International Committee of Sports for the Deaf (Comitê Internacional de Esportes dos Surdos), do qual a CBDS é filiada até hoje.

Entretanto, a FCSM ainda atuava de maneira regionalizada. As associações se espalharam por todo o país e a prática desportiva também, mas ainda não havia uma entidade que centralizasse os campeonatos. Mais uma vez, Sentil Delatorre, importante desportista surdo e ex-presidente de várias instituições, tomou a iniciativa de convocar uma Assembleia Geral em 1979, no no auditório do INES (Instituto Nacional de Educação dos Surdos). Participaram surdos de todo o país que se entusiasmaram com as idéias de Sentil. E, assim, nasceu a CBDS. No entanto, a Entidade só foi oficializada após Assembleia Geral realizada em 17 de novembro de 1984, em Santos/SP.

Mário Júlio de Mattos Pimentel foi eleito o primeiro presidente da CBDS e presidiu por vários mandatos com grande dedicação e brilhantismo. Depois dele presidiram a entidade Narciso Emannuel de Paiva, Sentil Delatorre, José Tadeu Raynal Rocha, Marcos Calixto, Rodrigo Rocha Malta e Gustavo de Araujo Perazzolo. Em 2016, foi eleita a primeira presidente, Deborah Dias de Souza, que também é a pessoa mais jovem a assumir o cargo.

A CBDS, ao longo de mais de 32 anos de existência, contribuiu e continuará contribuindo com a inclusão social das pessoas surdas através do esporte. Apesar das imensas dificuldades, desde a sua fundação até os dias atuais, a Entidade sobrevive pelo esforço de voluntários da comunidade surda de todo o Brasil, passando por um grande dinamismo esportivo. Houve um intenso crescimento no número de Associações por todo o País e, consequentemente, no número de competições locais, regionais e nacionais em diversas modalidades esportivas. Além de apoiar e/ou administrar a realização dessas competições, a CBDS esteve presente em vários campeonatos internacionais de surdos com resultados satisfatórios e, sediou dois destes eventos no Brasil: o 5º Jogos Pan-Americano de Surdos em 2012 e, o 1º Jogos Sul-americano em 2014.

A surdez em si não implica em restrições à prática de atividade física e não existem esportes mais ou menos adequados para surdos. Entretanto, as limitações linguísticas e comunicacionais podem dificultar a compreensão e o relacionamento, interferindo na aprendizagem e no comportamento do indivíduo. A prática esportiva é uma forma de melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Através do esporte, surdos podem demonstrar sua capacidade à sociedade, fortalecer sua autoestima, entre outros inúmeros benefícios, contribuindo com a inclusão social.

A CBDS tem registro de, aproximadamente, dois mil surdoatletas desde 2009. As limitações financeiras são a maior dificuldade, as competições e treinamentos acontecem porque a maioria dos surdoatletas pagam as despesas com recursos próprios ou de doações.

Com a melhoria crescente dos resultados nas competições internacionais e maior visibilidade na mídia, têm surgido empresas patrocinadoras, porém, ainda é insuficiente para bom desenvolvimento das práticas desportivas e outras atividades da CBDS.

Melhores condições para a CBDS, consequentemente, beneficia maior número de pessoas de todas as classes sociais, raças/etnias, gerações, orientações sexuais, níveis de escolaridade, etc. contribuindo com a dignidade e inclusão social dos cidadãos surdos e um País mais justo.

 

Uma janela para o esporte internacional

 

Além dos vários campeonatos regionais e nacionais que acontecem todos os anos, a CBDS faz história nos campeonatos internacionais. As equipes e surdoatletas brasileiros detêm os títulos de: bi-campeão sul-americano de futebol de campo masculino (1989 e 1995), tri-campeão sul-americano de voleibol feminino (1987, 1991 e 1995), bi-campeão sul-americano de tênis de mesa (1988 e 1992) e campeão sul-americano de atletismo (1992). Boa parte dessas vitórias foi conquistada nos mandatos de Mario Júlio Pimentel, um dos grandes responsáveis pela consolidação da entidade no meio desportivo.

Na gestões mais recentes tiveram as seguintes conquistas internacionais:

  • 2009: Deaflympics 2009 em Taipei, Taiwan – 1ª Medalha Surdolímpica (bronze de Judô)
  • 2011: Campeonato Mundial de Natação em Lisboa, Portugal – 3 medalhas
  • 2012: 5º Jogos Pan-Americanos de Surdos em Praia Grande/SP – 26 medalhas – 5º lugar
  • 2012: Campeonato Mundial de Artes Marciais em Ilhas de Margarita, Venezuela – 12 medalhas (Judô e Karatê)
  • 2013: Deaflympics 2013 em Sofia, Bulgária – 4 medalhas (1 prata e 3 bronze) – Natação e Karatê
  • 2013: Campeonato Sul-americano de Futsal (Feminino) em Santiago, Chile – Campeão
  • 2014: 1º Jogos Sul-americanos Desportivo de Surdos em Caxias do Sul/RS – 51 medalhas
  • 2015: Campeonato Mundial de Natação de Surdos em Texas – EUA – 3 medalhas
  • 2015: Copa do Mundo de Futsal de Surdos em Bangkok – Tailândia – Vice-Campeão
  • 2016: Campeonato Mundial de Atletismo (maratona) em Sofia – Bulgária – 1 Medalha (prata)
  • 2016: Campeonato Pan-Americano de Vôlei de Surdos em Washington – EUA – Medalha de Ouro (masculino) e Prata (feminino)
  • 2016: Campeonato Mundial de Artes Marciais em Samsun – Turquia – Medalhas de Ouro e Bronze no Judô

 

Brasil nos Jogos Surdolímpicos

 

Através da CBDS, a primeira vez que o Brasil enviou representantes para a Surdolimpíadas foi em 1993, em Sofia, Bulgária. Na ocasião, dois nadadores disputaram 11 provas e chegaram próximo do pódio, em quarto lugar, três vezes. Desde então, a natação brasileira é a modalidade mais presente no evento, tendo ficado de fora apenas da edição de 2005, em Melbourne, Austrália.

Em 2009, em Taipei, Taiwan, houve a participação de 13 surdoatletas e 6 dirigentes. Com isso, saiu a primeira medalha para o Brasil, no judô, com o bronze de Alexandre Soares Fernandes, na categoria até 81kg.

Em 2013, em Sófia, Bulgária, houve a maior participação da Delegação Surdolímpica Brasileira em relação a todas as edições anteriores, foram 19 surdoatletas e 14 dirigentes. Nessa edição, o Brasil voltou para casa trazendo quatro medalhas, sendo três na natação, conquistadas pelo surdoatleta santista Guilherme Maia (uma prata nos 100m livre e dois bronzes nos 200m livre e 200m borboleta), e uma medalha de bronze no Karatê, conquistada pelo surdoatleta Heron Rodrigues, na categoria acima de 84kg.

 

I Olimpíada de Surdos do Brasil

 

Um importante marco da CBDS foi a realização da I Olimpíada de Surdos do Brasil, em maio de 2002, no mandato de José Tadeu Rocha. A cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, foi a anfitriã da competição, que contou com a participação de cerca de 1.500 surdoatletas, de nove Estados brasileiros.

Momento importante para o esporte dos surdos, a surdolimpíadas nacional emocionou muitas pessoas presentes. Desfile das delegações, hasteamento das bandeiras e Hino Nacional em Língua de Sinais marcaram a abertura dos jogos. As competições contaram com esportes individuais nas modalidades de atletismo, ciclismo, natação, tênis de mesa e quadra, xadrez e halterofilismo. Nos esportes coletivos a olimpíada contou com competições de basquete, futebol de salão, handebol, vôlei de quadra e praia, todas elas disputadas tanto pela categoria feminina quanto masculina.

 

Eventos Internacionais

A CBDS promoveu no Brasil dois eventos esportivos internacionais importantes, o 5º Jogos Pan-Americanos de Surdos e o 1º Jogos Desportivos de  Sul-Americano de Surdos.

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5º Jogos Pan-Americanos de Surdos – Praia Grande – São Paulo

A quinta edição dos Jogos Pan-Americanos de Surdos foi realizada em Praia Grande, no litoral sul de São Paulo, nos dias 12 a 24 de junho de 2012. A competição reuniu esportistas surdos de 10 países de toda a América e foram disputadas sete modalidades: futebol de campo, futsal, basquete, vôlei, atletismo, natação e ciclismo. O Brasil conquistou 27 medalhas, sendo 7 ouros, 8 pratas e 12 bronzes, ocupando a 5ª colocação no quadro de medalhas. Os campeões de cada esporte garantiram vaga para a Surdolimpíadas realizada em 2013, na capital da Bulgária, Sofia. Os surdoatletas brasileiros que subiram ao pódio neste evento, posteriormente receberam a Bolsa Atleta do Ministério de Esporte.

A campanha já é a melhor da história do Brasil na competição. Por ser sede, o País deve a delegação com 120 atletas. Além de Brasil, também tiveram delegações da Argentina, Canadá, Costa Rica, Cuba, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Venezuela. No total, foram mais de 500 atletas competindo. Veja as fotos do Facebook e de outras notícias nos links abaixo:

 

Cartaz Sulamericano

1° Jogos Desportivos Sul-Americano de Surdos – Caxias do Sul – Rio Grande do Sul

O Brasil sediou a primeira edição de Jogos Desportivos Sul-Americano de Surdos, ou seja, nunca foi realizada nenhuma edição em nível sul-americano antes. Esse evento foi realizado em Caxias do Sul, RS, nos dias 15 a 23 de novembro de 2014.

A competição reuniu esportistas surdos de 7 países sul americanos, além do Brasil,  Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Venezuela e Uruguai. E, foram disputadas com sete modalidades: futebol de campo, futsal, basquete, vôlei, handebol, atletismo, ciclismo, badminton, natação, tênis, tênis de mesa, vôlei de praia, judô, karatê e xadrez. No total, foram quase de 700 atletas competindo. Foram 170 pessoas na delegação brasileira. O Brasil conquistou 51 medalhas, sendo 24 ouros, 11 pratas e 16 bronzes, ocupando a 1ª colocação no quadro de medalhas.